quinta-feira, janeiro 21, 2010

Sevandijas

Fosse o mundinho da política portuguesa um lugar mais são, decerto não passaria pela cabeça de nenhuma pessoa com responsabilidades a nível partidário o conceito da «disciplina de voto». Sendo as coisas como são, talvez não fosse desprovido de senso incluir no Regimento da Assembleia da República normas que impedissem tal arranjinho, aviltante e profundamente não-democrático. A submissão abjecta a essa «disciplina» por parte das senhoras e senhores que se julgam representantes dos demais cidadãos diz tudo sobre a qualidade das regras de conduta de quem a aceita sem pestanejar.
Tal como acontece nos mais variados aspectos que definem o que é viver o dia-a-dia deste País, a lógica que regula o funcionamento dos partidos obedece ao nivelamento por baixo: ao invés do apelo às pessoas que melhor servem a sociedade para que unam os seus esforços sob um ideário político que as represente, assiste-se ao generalizar do carreirismo mais medíocre - qualquer "yes woman/man" pode ter lugar no partido e, quiçá, almejar a um assento na AR ou a qualquer outra prebenda, desde que não conteste e lamba as botas de quem manda a tempo e horas.
Talvez por não necessitar de sinecuras e, porventura, por ser um caso raro de existência de uma coluna vertebral no meio político, o Senhor António José Seguro tem o meu respeito. Bem-haja.